terça-feira, 14 de abril de 2015

Salvo pelo choro




Salvo pelo choro

Eu nunca levei meu filho pro maternal
Eu nunca comprei pra ele um velotrol
Eu nunca o levei ao médico, se passava mal
Eu nunca passeei com ele em dias de sol

Eu nunca fui chamado na sua escola
E nunca vi os seus primeiros tombos
Jamais a febre eu senti que foi embora
Nunca foi tão frio hoje em tantos assombros

Nenhuma festa de aniversário
Nenhuma festa a fantasia
Nenhum gesto mais humano e solidário
E nem certeza alguma mais dessa vida.

Nunca sai de casa e o vi dormindo
Do mesmo modo que eu chegava
Um sono puro e matutino
Em não ter com quem brincar (e nem brincava)

Eu nunca tive meu cabelo em pé
E tão pouco os fazia de tão brancos,
à preocupação diária e insone das madrugadas
Até sua chegada triunfal, em casa, são e salvo.

Eu nunca vi aquele menino crescer tanto, pensava.
E em meus braços longos cantaria ré-ma-ré...
Ele era do meu futuro o melhor dos meus alvos...
Pra depois não me pegar, agora pouco, chorando!

Victor Hugo Neves de Carvalho


domingo, 12 de abril de 2015

Pra quando da minha chegada





Pra quando da minha chegada

Não precisa arrumar a casa,
Deixe-a apenas toda aberta,
Todas as portas e janelas,
Todas elas escancaradas...

Não precisa se arrumar também.
Fique apenas com o coração alerta,
Por que o meu vai querer fazer festa,
Por madrugadas além...

Não precisa me esperar no portão.
Deixe apenas a chave do seu coração,
Para que eu possa abrir delicadamente,
E me fazer em ti a tua morada.

Tranquei de vez a minha solidão,
E me livrei pra sempre dessa prisão,
Pra quando da minha chegada...
E eu já te amava ardorosamente!

© Victor Hugo Neves de Carvalho