domingo, 24 de agosto de 2014

Monólogo da Solidão









Monólogo da Solidão



Estou cansado de chegar em casa e não ter ninguém pra me receber, não ter ninguém me esperando, nem pra perguntar como foi meu dia hoje ou como eu estou, pra me abraçar e me fazer um convite irresistível de um jantar a dois, mesmo a luz de velas.



Estou cansado de ver tudo nessa casa, em tamanho diminuído: Um copo, Um prato, um garfo, um sabonete, um creme dental, um par de chinelos, um travesseiro, um cobertor... Enfim, toda soma dos fatores se dividem entre si mesmos: Uma só monologia!



Estou cansado de deitar na cama, que a cada noite se torna mais fria e grande demais pro meu pequeno espaço de dormir, sem ter ninguém pra dividi-la, as mesmas idéias, o mesmo impasse, a mesma emoção, o mesmo sono dos justos, além da cumplicidade de um beijo de “boa noite”!



Estou cansado de levantar nessa mesma cama, que continua fria, mesmo no verão e saber que outra vez acordo sozinho e um pouco atrasado para me dar conta disso, isso quando a solidão não aperta o cerco e se apossa de mim, devorando-me o resto de sono depois de uma noite mal dormida, expulsando-me a paz e eu ainda, insone, sonhando acordado!



Estou cansado de não ter pequenas mãozinhas agarrando-me pela calça, me pedindo dinheiro ou me chamando pra brincar e entre seus passinhos mais ousados e destemidos, correndo pela casa toda e se escondendo, esperando que alguém o procure... Aquela “baguncinha” gostosa de um fim de tarde, em que a gente dá à bronca, mas no fundo disso tudo, ter um sorriso de satisfação e de missão cumprida de mais um dia feliz!



Estou cansado de cantar minhas canções favoritas, mesmo desafinado e fora do tom, ter alguém para aplaudir e dizer que você já é um sucesso na vida, por ter uma linda família. Estou cansado de recitar poesias, os mais lindos versos de amor e de paixão, sem ter a quem me ouvir e se emocionar pelo trejeito que sou, em saber mais amar do que ser amado!



Enfim, estou cansado! A vida já me cansa! O peso que carrego é enorme e fora de prumo. Meu caminhar é lento e tortuoso, meus passos são desajeitados...  À medida que o tempo vai passando, mais diminuem as chances de ser feliz de verdade e ter alguém pra acreditar em você e em seus sonhos e querer compartilhá-los por toda uma vida rica e feliz! Estou cansado dessa vida tão só, sem luz, sem som, sem calor, sem cor, sem emoção... O coração parece estar de luto há muito tempo, pois bate devagarzinho, quase parando! Estou cansado de mim mesmo, mas que não me canso apenas de uma coisa: Ter o remanso merecido de uma vida próspera pra poder morrer em paz!





Estou cansado de não ter, em uma noite qualquer, lindos anjos adormecidos em seu amor, esperando mais um dia pra novas aventuras com você...  Depois de um beijo de “bons sonhos, meu filho!”, teu pai também não vê a hora de voltar pra casa!



© Victor Hugo Neves de Carvalho

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Vida Antiga









Vida Antiga

Sou o homem mais velho do mundo
Embora esteja pouco tempo nessa terra
Vivo só, dos sonhos mais profundos
Onde o amor é minha sina e guerra.

Vivo tão distante, tão mais além
Que sua tola e vã hipocrisia
Possa conceber. Mas, porém,
São poeiras minhas filosofias.

De onde vim, o amor é a regra
Pra onde vou, um mistério envolvente
O que faço aqui?  Alma impura de alguém

Que, um dia criança, tão mais além
Nasceu e cresceu nessa terra
Dentre a solidão própria e adstringente.

© Victor H.

Estação Felicidade









Estação Felicidade

Há muito tempo sonhei ser feliz
Cresci atrás dessa sina
Era tudo que eu sempre quis
A cada estação, uma nova vida.

E de tudo eu fiz pra ser feliz
Também queria meu lugar ao sol
E foi por um acaso, por um triz
Que não morreu meu girassol.

Hoje, pessoa feita, lúcida, infeliz
Ainda espera que bata em minha porta
e me abrace nos braços do amor
essa felicidade que tanto almejo.

Porque nada mais me importa
Que renascer desse desejo
A construção de um futuro de valor.
É tudo o que eu sempre mais quis.

© Victor H.

domingo, 10 de agosto de 2014

Feliz Dia dos Pais, meu Velho e Saudoso Pai!





Pai, Filho e Espírito Pranto

Em nome do meu pai,
Sei que seu tempo já se foi.
Mas a lembrança não vai,
Saudades, como me dói!

Em nome do meu filho,
Que nunca mais virá.
Sigo seus passos nos trilhos,
Onde meu sonho teima pisar.

Meu Pai, hoje ainda teu, eu sou!
Chorando, sonhando, chorando...
Um filho que não cresceu,
E foi-se com o tempo teu feliz.

Tê-los em meus braços, eu quis!
Mas um se foi e não me avisou,
Outro nem veio e nem nasceu (...)
Meu pai, meu filho, do meu espírito pranto!

₢ Victor H