sábado, 1 de agosto de 2015

A Partida




A Partida

Quando eu partir, não levarei nada,
Do pouco que eu conquistei.
E nada deixarei, nem contos de fada,
Que um dia nessa vida eu acreditei.

Quando eu partir, logo serei esquecido,
Se vivo, eu nunca fui lembrado.
Partirei em busca de outro destino,
Estarei sozinho e mal acompanhado.

Quando eu partir desta pra outra,
Que tragédia! Mas, um fim cômico!
Espetáculo das gargalhadas loucas,
Que me virão ereto, rígido e anônimo.

Ao partir, será leve minha bagagem,
Mas vou carregar o peso de minha alma.
De tudo que eu sonhei e que virou miragem,
Como os escritos secretos da minha palma.

Levo apenas os meus sonhos, passaporte,
Que será devolvido junto a eternidade.
E fica apenas os sentimentos alheios a sorte,
De eu ter ido breve, e que já foi bem tarde.

Victor Hugo

sábado, 4 de julho de 2015

Noite




Noite

Noite que acalma. Vento fresco.
As horas vão passando devagar.
Ouço cada batida do ponteiro.
Agora sei que hoje vou respirar.

Mesmo sofrendo por dentro,
Remoendo toda angustia da alma,
Hoje eu vejo que essa calma,
Tem relação com meu desespero.

Mas um desejo pontiagudo me fere.
Ademais da corola de espinhos,
Que carrego noite e dia sem descanso,
Por dentro tudo está confuso!

Ainda arrumando essa bagunça, leve
Vai meu desejo, seguindo difuso,
Em tua busca, buscar o remanso...
Na noite de vento fresco, menino!

Victor Hugo Neves de Carvalho



Amo amar você




Amo amar você

Amo com a ternura de uma mãe
Que envolve teu filho num colo de proteção
Amo com a robustez de um pai
Que abraça um filho em forma de sermão

Amo com a beleza das flores e das rosas
Formando em sua volta um jardim de amor
Amo como um vulcão em trevas e revoltas
Mas, eu apenas amo, seja você quem for

Amo como Deus ama sua criação
No exagerado zelo de amor e de candura
Mesmo que esteja perdido em um mundo
Tão longe de amar e tão pouco ser amado.

Amo, enfim, como uma criança pura
Inocente, se entrega ao prazer acalorado
Amando tanto que, até a solidão
É uma forma de amor em diminuto.

Victor Hugo Neves de Carvalho

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Velhice









Velhice

Acho que já estou muito velho
Pra viver mais alguns anos.
Já não levo a minha vida, tão a sério,
Tantos foram às perdas e os danos.

Já me iludi o bastante pra entender,
Que fui apenas um saco de pancadas.
Submissão total para chorar e sofrer,
E depois, dessa vida não deixar nada.

Meu corpo, tão surrado de coças!
Meu espírito, tão sujo de manchas!
O coração, bate invariavelmente,
De acordo com as condições exigidas.

No tocante dessas minhas andanças,
Hoje me estacionei, vim curar as feridas,
Do último golpe que, indubitavelmente,
Deixou minha velhice flácida e torta.

Victor Hugo Neves de Carvalho

Reconstruir a vida...





Reconstruir a vida...

É juntar cada tijolinho que conseguir,
Para construir o seu castelo de sonhos.
Entre o amor e a felicidade, fazer se unir,
Longe de todo assombro que for bisonho.

É a certeza de um futuro promissor,
A segurança diante essa vida tão difícil.
Não fazer mais o papel de sonhador,
E ser pessoalmente realizado é possível.

Todos têm que escrever sua história,
E entre quatros mãos pode surgir a vitória,
Vencer o medo, a dor e a solidão.

Junte cada tijolinho, que começa no coração,
Um a um vai formando razão e emoção...
Ser feliz! Não tem nenhuma outra estória!

Victor Hugo Neves de Carvalho

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Reticências...





Reticências...

Durante um dia todo, vou vivendo,
Na esperança de que algo mude.
E eu mesmo vou varrendo, varrendo,
Tudo aquilo que não presta e não cure.

E as horas vão rolando, segundos afora,
Até que chegue, enfim, o fim da tarde.
A noite também vem e não demora,
E começa tudo, devora, invade, arde...

Sob os ditames dos delírios da solidão,
Vou me descrevendo, como um poema,
Que nunca se findou ter um ponto final.

Coração chora! Coração grita! Reticências.
Voltei pra minha realidade, afinal...
Mas sem você, meu filho, quanta escuridão!

Victor Hugo Neves de Carvalho

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Desejo


Desejo

Sabe qual o meu maior desejo?
Era ter você aqui comigo!
Pena não ouvir mais meu apelo,
Eu me sinto tão sozinho!

Queria matar esse meu desejo,
Antes que ele me mate de vez.
E são tantos, tantos que almejo,
Que o tempo já os desfez.

Toda noite é assim, vida longa!
As horas demoram a passar...
Mesmo contando cada segundo,
Que resta dessa árdua espera tua.

Desejo tanto prosseguir no mundo,
Ver-te em meus braços a chorar!
Nem que fosse naquela última curva,
Te ver chegar filho, é uma honra!

Victor Hugo Neves de Carvalho